Ao sibilar o nunca, que saltou rapidamente dos lábios com prepotência. A certeza do orgulho fechou a porta da compreensão, fez do acaso um caso atrevido, colocando a sujeira debaixo do coração. E a pretensão cheia de liberdade se deixou levar contra a brisa, que de vento em polpa se colocou como a próxima vítima.
Transformando o dia alegre numa noite triste, chegou à madrugada. Quando escorreu na face á lastima da preciosa lágrima. Os olhos na hora cúmplice do silêncio molhado, agora no pesadelo separado. No momento de ir, nenhuma palavra, daquela causa que a fez partir... Ao encontrar o espelho o melhor jeito de olhar para dentro de si.
O entendimento faz parte de um fuso horário à parte, que cabe só a um. Falar é fácil até que o sábio do difícil ato de passar o fato falado seja seu. Na mente remota daquele inconveniente discurso, o céu de anil se transforma num tom sombrio, ao reconhecer que “nunca ao dizer nunca” esqueça de você.
" Bi- polén"
Enfim, como um desabrochar de uma rosa, exalando o perfume de espontânea essência. Renovando os ares, afinando os espinhos, trocando as pétalas. Um dos ciclos naturais em prática, às vezes na chuva, nem tantas vezes no sol, em fotossíntese... Irradiando uma cor púrpura. Pela manhã ouvindo o canto dos pássaros, à tarde o belo pôr do sol, à noite refletindo o brilho da lua, aflorando a serotonina. Ao eclodir encontra as nuvens que se revelam acrobatas incansáveis, estimulando os mais suaves sonhos. De repente asas se movem fazendo pensamentos voarem. E longe do asfalto, não mais aquele carpete de rosácea, agora uma passarela de acúleo perfumado do mais doce veneno- O mistério.
" Surreal"
Um feixe de luz escapava pelas frestas daquele olhar, olhos negros de puro mistério como uma cortina na noite. Naquele instante minha íris colorida refletia harmonicamente tons vibrantes, formando uma pintura abstrata, com cores quentes. Era como se eu fosse uma tela de Dalí, numa mistura de sonhos e tantos significados que poderia decifrar-me. Porém segundo Clarice, não se questiona o mistério para não trair o milagre... Então me perdi como uma dádiva. O destino é um deus de lua que iluminou aquele momento, impregnado em minha pele, envolta em arte.
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