Ave de Rapina

Vejo-te quase sempre no momento de caça.
E tu às vezes parece ter um bico de beija-flor.
Mas como tu vens e passa...
Não consigo te dar o que meu coração falou.
Sendo um instante necessário para guardar tanta emoção.
Quando pousas em minha mão és um alvo de admiração.
Tu voas livra e tão alto que não tenho chão.
Por ser raro que te guardo para não haver extinção.
Mas tu te lanças pelo mundo e eu te espero com devoção.
A distância faz do reencontro tamanha satisfação.
Tu és a liberdade que prende o meu coração.

Alta Costura

Bola, xadrez e listra.
Costura a menina do laço de fita,
que fita os olhos naquele cara da risca.
Na mesa há sempre um corte
a espera da retalhista,
que arrisca
tudo
pelo
artista.
Bolsa, vestido e calcinha.
Ela cose com agulha e linha
um figurino sem bainha.
Não utiliza dedal,
mas vai firme
e alinha
para
terminar
sua
modinha.

" Meu vocabulário"

Estou aqui a me quaquaquaricar ...
Veio-me o conversarino do finado
Dizer em tom maior que daria um braço
Mas veja só!
Daria um braço por uma noite
Apenas
Para fitar os seus saudosos olhos em mim
Ah coitchado!
Não entendeu o recado
Nunca quis pedaço
O que sempre busco não é absoluto
Mas é sensato
Chama-se VERDADE

RUBY

Às vezes você acorda de TPM e a única coisa que faz é se afogar em lágrimas, esquecendo o mundo lá fora. Perdida na feminilidade uterina de um planeta cor-de-rosa. E vem a ridícula da imaginação tirar onda com seu dia triste. Fazendo um tipinho sórdido de causar lamúria, coisas do passado, perdas insignificantes, um objeto querido e toda futilidade da ocasião. A exigência, como mera personagem deste cômico momento, é de exclusão social.

Poupe-me! A questão é... Um pouco de dosagem. Talvez usar o antídoto da felicidade nos dias que antecedem com a chegada, funcione. E alguma felizarda seja laureada. Fato que não presenciei, mas quem sabe. Nos dias vermelhos você parece virar uma espécie de quatro patas. Eles utilizam um tipo de faro e nos olham com olhos de caçador. Inocentes! Tentando despertar a fera que habita em você.

Calma, um dia é da caça, outro dia do caçador. A mulher sangra para o homem testar a paciência. É denominado “marido” o que no teste passar.

Verdade seja dita! O seu tão chorado período acaba influenciando intrigas, separação, reconciliação, desabafo, melancolia e algumas cólicas. Bando de filhas de Maria. Cantava a saudosa Elis Regina, é um dom, uma certa magia. Basta de sortilégios! Você não escolheu esse compromisso e já nasceu com o fardo. Árduo trabalho de sangrar. Sangrando sem gostar, mas ovulando. Não serve de consolo e ao mesmo tempo nos consola.

Sonhar e creditar esperança também faz parte da mulher. Quando a gente se perde em pensamentos, são gerados atos quase sempre admirados. E de tanta sensibilidade atribuída que chorar não custa nada para quem traz no corpo a marca de ser mãe.



Lágrimas de crocodilo

Tem vezes que seu coração escolhe um apego qualquer e se depara com a ironia do destino. O que nunca foi sapo muito menos príncipe, continua no lago. Este é o fardo de quem escolhe errado! Como característica se faz de vítima e esconde o fato, relatando um drama que não faz parte do ato e faz da vida um feriado. Inteligente este papel de quem se diz apaixonado, vai profundo ao sentimento que ele criou no passado, assunto principal do consolo que o serve as damas do lado. Mal sabem elas! Que tudo é encenação do comediante cheio de papo... Conversa daqui, conversa de lá. Dramatizando uma mentira para atrair os olhares que no acaso perderão de vista a verdade do caso. Desse tipo têm vários e até choram, choram fácil. Às vezes criam convicções supostamente relativas ao pensamento. Mas como dizia minha Vó, querer não é poder. Um dia a máscara do palhaço cai e o resta apenas a fantasia de pierrot. No entanto, a tarefa árdua é conviver com a realidade. Chorar é um bem necessário, nem sempre por motivo dramático, mas pela circunstância de quem é sensível. Deste tipo é raro e não se encaixa no que descrevo. Voltando ao começo! Tem vezes que seu coração erra demora, mas depois acerta. A lamúria passa... Desse “tipo crocodilo” é passageiro. Alimentam-se de corpos, sobrevive dos pedaços como bicho insaciável.

SAUDADE...

...De temperar o mundo para agradar teu paladar,
de ficar olhando aquela estrela e ver a madrugada rolar,
de amanhecer sem pressa e nem hora de acordar,
de me despir de contos ao te olhar,
de fixar meus olhos na tua beleza esquecendo o planeta que nessas horas não para de girar,
de abraçar o desejo quando o beijo se faz demorar,
de mergulhar em sonhos ao sair do presente e no futuro fincar,
de viajar na imaginação e sorrir ao despertar,
de cobrir o frio em noite gelada de congelar,
do calor que molha a pele sendo a dois fácil de lidar,
do som de riso solto que a intimidade costuma deixar,
das brincadeiras sem hora de acabar,
das bobagens que só a gente sabe falar,
do percurso onde meus pés não vão mais caminhar,
de datas comemorativas que o tempo faz recordar,
da carícia que minha pele insisti adorar,
da trilha sonora que me fazia cantar,
de desvendar o compasso de cada contratempo ao dançar,
de me vestir de rainha para te coroar,
de ficar com preguiça e me enroscar em qualquer lugar,
do rotineiro domingo e seu tom a desleixar,
de unir palavras no jogo de rimar,
de fazer bico e desfazer quando algo mesmo que pequeno agradar,
de discar aquele número ao telefonar,
do ritual artístico que só quem viveu sabe contar.


* Don't look back ^^

OFF-WHITE

Meu mundo às vezes “tento”
Assim quase feito
O reinvento

Com bastante efeito
Misturado com fé
Nem sempre atento

Branco e preto em cores
Em dia cinza triste
Em outros amores

ADEUS

   Entreguei- me de corpo e alma, mas você só queria tocar, não soube sentir. Subestimou meu instinto me fez querer partir. Conseguiu ser o único, no entanto mais um, porque o sentimento foi grande por quem jamais sentiu algo assim. Hoje penso que tudo se prendeu ao ego, que refletiu o elo da vaidade com qualquer coisa ruim. O aperto no peito, a vontade de ir, sempre presa dentro de mim. Agora serena relembro da cena daquele desfecho, que me fez seguir sem olhar para trás com o coração suvenir.

   Para gostar de você me perdi na profundidade de um sentimento finito. Inconscientemente fui o desconhecido da sua emoção porque te desvendei no seu mais íntimo consciente. A saudade por vezes, me deixou impotente ao inflamar a ferida que tirou o escudo do orgulho. O que parecia perfeito hoje é cicatriz... Cansei de me doar por inteira e de desvalorizar minha verdade. Pelas meras palavras que sempre soaram como um disco arranhado, ainda ditas da boca pra fora. Ganhei com tudo isso um amigo chamado relógio, quem me faz lembrar a cada segundo que o tempo passa.

   Minha doçura foi o açúcar que você precisava, mas o amargo de suas mentiras foi mais forte do que o doce dos meus lábios com volúpia. Entendo agora que você não passa de um fantoche quebrado, a espera de alguém que manipule suas cordas. Cheio de sutilezas por trás de um sorriso falso, como diz o ditado- “carta fora do baralho”. Minha qualidade narcísica me envolve de auto-estima e por isso te excluí da minha vida, como lixo que jogamos fora. Eu sempre te avisei que a minha veracidade queria você longe de mim, mas você não deu ouvido e ainda persiste em me fazer te enxergar. “Se liga” agora no meu digníssimo desprezo, que de cansado sobreviveu nas cinzas da lástima. Relutei uma luta sem vencedor, refiz mais um começo e desta vez com final.

Teaser

De acordo com as emoções sentimos deleite em olhar o belo, muito mais quando aflorado o lado da sentimentalidade, ato presunçoso este de superestimar algo. Tenho observado que o contrário é repercutido em shows sanguinários, onde pessoas tornam-se peças (chamadas de MASSA) no jogo do ibope. Não há vilão, mocinho, nem bandido... “Ta todo mundo junto e misturado”! Diante a banalização da imagem há uma ligação deste destempero de amor e caráter que estamos acostumados a encontrar diariamente, fator culpado pela eloqüência social. O resultado desta desdenha é a violência que invade nossas vidas cada vez mais, enquanto continuam a observar de forma compulsiva o apelo midiático. O consumo está relativamente associado ao comodismo de conviver com essa escola abusiva que é a nossa realidade.