" Souvenir "

Numa noite de sensibilidade,
emaranhada de pensamentos,
andava nas ruas depressa.
Totalmente dispersa
quando de repente uma mão a reteve;
acariciando a pele como nunca antes,
tocada.
Pertencia ao dono de um olhar- estonteante
que a fez compreender sem palavras- ofegante,
o verdadeiro sentido daquele olhar.
Como nunca antes,
visto.

"Colorindo"

O moço do pincel
Desenhou uma bailarina
Dono de uma beleza fulgurante
Seus lábios de mel
Fascina

O moço do pincel
Lentamente ia deslizando
Pintando meu céu
Além-mar logrando
Bel!

Até que o sol mostrou sua cara

Fazendo a gente brincar de ciranda

Colocando-nos pela estrada

Até que veio à noite como cigana...

"Descansada"

Cansei de fábula
Agora conto
Afronto a fórmula
Remonto;
Que seja lúbrico, que seja fato
Que tenha lírico, que tenha ato

Cansei de erro
Agora acerto
Encerro e subverto
Conserto;
O que presta eu guardo
O que não presta me desfaço

Cansei de guerra
Agora paz
Enterra o falaz
Soterra;
A tristeza no esquecimento
O desprezo no pensamento

Cansei de prisão
Agora liberdade
festeja o coração
Realidade;
Faço o que quero
E quando quero faço

" Rocha"

Buscando cautelosa
Dentro de mim
Palavras com cautela
Buscando horizontes
Alguns pretextos
Onde cesse o texto
Sem fim
De olho semi- aberto
Quase fechado de esperança
Apunhalado
O corpo em chama
Se defaz em cinzas
Agora mágoa
Ah, correnteza
Que límpida a água
Lavou-me toda
Fortaleza