" Brio "

Vestida de deusa à vera-efígie
Coberta de mar, de vento em popa
Adornar-se na lua, com seu semblante efélide

"Preciosa"

Não posso pedir ao vento que apague o fogaréu
Não posso pedir as cicatrizes que abandone a pele
Não posso pedir uma escada para subir ao céu

Não posso pedir que o inverno perdoe o roseiral
Não posso pedir que o oceano desague no deserto
Não posso pedir eternidade para um simples mortal...

e atirar aos porcos, milhares de pérolas!!!

"Espectro"

Vivo em cores, provoca um impacto emocional, o arco-íris é fantástico, verdadeiramente perturbador, uma obra-prima. Atravessando o céu do mar, num contexto mais resignado que o Jardim do Éden, uma espécie de alegoria da nossa situação contemporânea. Desse mundo pálido e desgastado que está aí para reconstruírmos a partir de bases precárias.

"Andarilha"

Andava para explorar,
andava porque seu quarto era pequeno demais para ficar enfurnado sem enlouquecer, caminhava para castigar e domar seu cérebro fervilhante,
para ninar seu corpo pouco usado antes do sono,
para colher novos assuntos para arejar os atingos.
Andava como se quisesse livrar-se da dor,
para abominar os que têm o prazer de ser mal-amados,
para não tentar entender os afortunados que se comportam como leão-de-chácara,
para não questionar à ação mesquinha.
Humpft! Por um momento, ao olhar o céu azul do tom de macacão desbotado, respirou fundo... É impossível saber das ansiedades e justificativas, que se esconde por trás da monótona fachada do mal- humor urbano, da necessidade de se afirmar hierarquicamente.

"Roots"

A nossa energia às vezes é mal investida - até mesmo numa poesia - canalizada agora ao silêncio. Já que imagens parecem mais seguras que palavras. As palavras muitas vezes servem para mentir, trapacear, humilhar, corromper. Até as vírgulas representam modos de sair pela tangente, dois pontos buraquinhos que não levam a lugar nenhum . Afinal é super-hiper-mega desgastante ter que estar sempre alerta, perguntando-se se conseguiria tornar sua catastrófica miopia uma vantagem na luta para compilar uma enciclopédia colorida de coisas visíveis e invisíveis, de gesto fugaz, de princípio veraz... de quem faz bico, de quem faz das tripas coração.