Voar ♡

Quando aprendi sobre desapego ganhei da distância um motivo para deixar meus dias mais doces. Um tipo de caramelo embrulhado pra presente. É como se o mapa-múndi tivesse ganhado um nome e minha viagem dos sonhos um sobrenome. Com você meu coração pensa que decola como um avião ou me coloco na cadeira do lirismo sem cinto de segurança. A verdade é que tenho andado na classe executiva da emoção com excesso de bagagem. Embarcar já do ponto de partida é como sobrevoar o céu de quimeras com turbulência de sentidos e fuso horário confuso. Muitas vezes o desejo antecede ou sucede o passar das horas e cada minuto registra um carimbo no passaporte do tempo.

 Quando entendi que nada é por acaso ganhei milhas de sabedoria e atravessei a fronteira do bem querer. É como se eu tivesse perdido a bússola e quisesse mergulhar no Oceano Atlântico das possibilidades. Com você sinto dar uma volta no mundo sem sair do lugar. A verdade é que você desperta em mim essa vontade de viajar ou de fugir da tecnologia. Vejo uma flor e imagino o mar de girassol da Toscana, vejo uma obra de arte e imagino meu artista preferido no Louvre, vejo uma carta de vinhos e imagino um brinde em Bali, vejo uma livraria e imagino meu leitor preferido no Jardim Botânico da Key West, vejo o pôr do sol e imagino o Ricks Café após aquele passeio de jangada acompanhada no rio Martha Brae, entre outros trajetos. Virei turista dos quatros cantos sem perspectivas, mas com muita história pra contar. 

Quando aceitei que sonhar adoça a vida ganhei um intercâmbio de sentidos e decidi decolar na mala apenas o bright side da viagem. Um tipo de cadeado, selo e prazo de validade pro eterno. Com você a liberdade pousa no genuíno, os sentimentos criam asas e sinto que minha poesia ganhou um piloto. Embarco com destino para o saguão do teu olhar e me perco no azul do céu. Agora costumo fazer check-in nas nuvens, me conectar até em modo avião, fazer escala sentimental e ponte aérea de afetos.

Alma à flor da pele

Costumo guiar meu coração para vários lugares por aí. Gosto de ser assim, livre, leve e para muitos louca. Tenho uma loucura de ser eu mesma, sou bem particular, sou dona de mim. Grito e choro a minha essência. Sou o meu início, meio e fim. Sou a liberdade das minhas palavras e nem sempre a lucidez dos meus sentimentos. Sou pés descalços e noites de luar. Sou rosa que simboliza o amor, sou o doce de um cappuccino e não a pureza amarga de um café. Sou mais amor que razão, sou toda emoção.  Sou ressaca de oceano, coca cola e muita água pra refrescar. Sou muito mais picolé que um sorvete qualquer. Sou das cores fortes, intensidade, dança, terra e raiz. Sou música que arrepia a pele, toca a alma e faz a gente chorar. Amo os horizontes da vida. Sou chuva, telhado, areia, piscina, grama, céu e mar. Sou de todas as estações. Sou cartas na mesa pra quem sabe jogar. Sou riso frouxo e romance no ar. Sou para muitos, mas poucos sabem.  Quase sempre escancaro meu brio e não importa o espectador. Eu soul!



Labirinto

Não caibo no meio do caminho, no meio termo, na metade, tampouco no cantinho daquelas horas vagas. Eu gosto da intensidade com a qual me entrego por inteira e não me faço desistir. Eu sou de ir, além dos meios, o meu avesso e o todo de mim. Gosto de samba, jazz, brega e me identifico com a bossa nova. Desculpe,  eu fui feita para sentir! Do mistério a liberdade, do refúgio à paisagem, do olhar o silêncio, do coração uma escolha. Eu sou partida do amor que sempre parte pra outro.  

Adedoooooonha!

Eu e minha estranha sensação de me sentir sempre na rua, não costumo fazer das pessoas uma morada. Aprecio a liberdade como cartão de visita. Cresci na coletividade das brincadeiras antigas. Foi muita ciranda cirandinha, cinco marias, elástico, pipa, pião, botão, barra bandeira, queimado, batata quente, clube do Bolinha e Luluzinha, entre outras.

Nunca gostei de salada mista, eu acreditava mesmo no príncipe encantado. Mas assim como Papai Noel, se vão os contos de fada.  Aprendi em grupo que individualidade à parte, respeito recíproco e para qualquer tipo de relação é indispensável o jogo da verdade. Hoje em dia mandam ladrilhar calçadas, mas colocam nos dedos anéis de vidro. Pulei muita corda e nunca gostei de forca. Não dou corda pra me enforcar.

Até hoje eu gosto de me sentir “dona da rua” e para me sentir em casa é preciso muito arroz com feijão e um pouco de farofa. Preciso me lambuzar e ficar de bucho cheio. Que me perdoe à etiqueta social, mas sou uma expansiva nordestina. Esse negócio de “grão em grão a galinha enche o papo”, para mim é igual a “quem gosta de migalha é galinha”. Eu gosto de cadeira na calçada, pé no chão, cara lavada, sorriso pro mundo, casa cheia e ficar fora da casinha na rua. Estou para rir e para chorar, faça chuva ou faça sol, mas quando for preciso eu grito: Sai da ruuuua, menino!

Epifania

Pensei que já tivesse esgotado todas as possibilidades e limites sentimentais desta vida. Jamais pensei que abriria meu olhar novamente para a pluralidade. Estava tão no singular, com preguiça de barulhar o silêncio, que de repente tudo parecia um musical. O incomum me informou do engano! Foi tudo tão contrário do que pensei, que quando paro pra pensar, parece um voo.  Era como o vento que soprava toda manhã, uma brisa que flo-ria de amarílis o jardim durante o dia. Mas como toda ventania passa, o tempo se esgota e algumas histórias acabam. 

# Batateira


         Resolvi dar um F5 na minha raiz irônica(mente). Do solo a superfície, a face,  o olhar. Tudo de mel. Uma doce flor, de tanto amar(ela), vermelhou.  No arrebol  (de)leite. No Lumaréu  aproveite. Em terras firmes     ama(dor), em céu, nos ares, amor.
    Dias de chuva vem lavar, pra brotar, pra colher, pra doar, quiçá (re)colorir. Tempo cinza se destaca, desenha, desbota, o botão, uma pétala, o espinho de uma rosa. (E)namorar-se em tempestades é película preto-e-branco, é pele, filme, (fotos)síntese de lembranças e estação. No inverno ou (nu)verão.
    Base que flo(rir). Se faz em boca, no chão... Quando no ar é nuvem e pode ser de algodão. Não tem azedume nem solidão. Tronco de risos, solo da vida, batimento do corpo. É firme, é origem, é coração. Dono da imensidão, não tem vácuo. É cortina de palco continua(mente²) aberta. Horizonte de jardim, florão. Uma janela rizoma pro (in)finito da aquarela. Côncavo-convexo da razão e emoção.  
   Além-mar os sonhos ondulam com ventanias de volúpia. As flores desaguam sua essência.(Des)prende as formas, prende o profundo , o fundo do ser. (A)bordo, a beira da borda a liberdade de supor(se). Tripulante do caule, da veia, é fruto que semeia, é cata-vento de sopro. Utopia dos deuses. Afago do peito para qualquer objeto ou sujeito.
   "Florescritura de batata" é coisa assim d’alma à flor da pele. Necessita dos 4 elementos e sonhos entre os espaços. São partículas de pensamentos como gotas de orvalho que caem juntas em bica de qualquer telhado.  É retrato ou  porta-retratos de  suposição ou relato. É tintura ou desenho de um olhar (re)tratado.  Uma miragem poética, literária e temperada.



Batata quente na manteiga derretida!

+AmoR

O amor resiste as adversidades da vida, desde que a gente se fortaleça em união. Como dividir quem se ama? Apego? O que é errado para o amor? Quais os problemas diante da equação do amor? O amor prevalece da soma e da multiplicação, se alimenta da subtração e divisão. É preciso doar-se. É preciso construção! É preciso se permitir uma nova página, uma nova história, um novo começo. É necessário dividir os gostos, sonhos e desejos. O amor está em querer estar junto, enxergar sonhos com o outro ao lado, satisfazê-lo, para satisfazer-se.  Não adianta que apenas um caminhe em frente, aponte o caminho, entregue a chave, diga a senha, abra a porta, escancare a janela, estenda a mão, se doe, se entregue. É preciso olhar com seus próprios olhos para o horizonte da vida.  O amor não sobrevive de teorias. 

A chave da fechadura é rodrigueana

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura? Realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico".



Nasceu no Recife, no dia 23 de agosto de 1912, um pernambucano que abriu as modernas cortinas do teatro para marcar o placar do futebol e estrear no cenário da política, da ópera e das manchetes policiais. O precoce colunista e romancista foi pai da dramaturgia brasileira e autor de renomados dramas com linguagens simples, carregados de tragédia e humor. O jornalista Nelson Falcão Rodrigues é um dos ícones multiculturais da “pernambucanidade”. O filho de Mário e Maria, quinto de uma prole de quatorze filhos, é titular de uma biografia talentosamente versátil. Um Nelson entre tantos outros, foi, polêmico, pródigo e poético. Um tricolor e frasista que emplacou sua eternidade aos 68 anos de vida com o legado da “Vida como ela é”...

 Criado no Rio de Janeiro, o conservador e revolucionário Nelson, sofreu as marcas da censura e não se deixou censurar. Após 1940, algumas de suas peças foram definidas como gênero trágico da moralização, embora liberadas nos anos 60. Entre elas; Álbum de Família, Anjo Negro, Dorotéia e Senhora dos Afogados. Múltiplas interdições e mais de 147 processos alimentaram o sarcasmo do autor. A obra rodrigueana é o cartaz da fidelidade à imaginação do multiartista, inédita e particular. A prosa realista do escritor criticava a sociedade de forma original, por isso suas ficções se tornaram atemporais.

 Nelson foi o narrador da face brasileira, da ditadura imposta, da adversidade vital. O autor adaptou a tragédia grega para a sociedade carioca. Na coxia da vida, o universo de Rodrigues era envolto ao erotismo e a morte. Peças, contos, crônicas, teatros, novelas, filmes, frases e artigos de jornais eram adaptados a uma série que marcaram a vida do dramaturgo. Ele enfrentou graves doenças, falecimento de familiares, pobreza, separação, nascimento da filha cega e prisão do filho. E mesmo diante a tantas adversidades afirmou, “Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou e nem sabe o que é amar”. Reafirmo!

 O provocante e ilustre observador das ruas, do famoso cotidiano, foi um grande jornalista. O homem que falava do amor em crônicas policiais se tornou imortal. Os anos de Nelson serão datados na eternidade pela inverossímil história que deixou ao Brasil. A família Rodrigues, seu pai Mário e seus irmãos (Milton, Joffre, Mário Filho e Roberto) registraram um grande marco na história de alguns jornais, como; O Crítica, O Globo, Diários Associados, O Jornal de Assis Chateaubriand, A Última Hora e o Jornal Correio da Manhã. Assim como as crônicas esportivas de Nelson Rodrigues que marcaram o futebol brasileiro através da paixão pelo futebol e pelo clube carioca fluminense. Rodrigues deixava claro sua paixão pelo Flu-Fla, “Time tricolor só tem um, o resto tem três cores”.

 O intelectual da poesia realista não se candidatou a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras devido ao precário estado de saúde. Porém, deixou consagrado seu estilo distinto através de uma nova ótica contemporânea sobre o romantismo. Nelson se tornou influência literária, refletindo a realidade nua e crua da sociedade com o vocabulário popular. Em 1980, o pai de Joffre, Nelson, Maria Lucia, Paulo César, Sonia e Daniela, faleceu por causa dos problemas provenientes da tuberculose. Enterrado com a bandeira do fluminense recebeu de sua esposa Elza a realização de seu pedido. Gravou seu nome ao lado do nome dela na lápide do túmulo com a frase: “Unidos para além da vida e da morte e é só”. O menino que vê o amor pelo buraco da fechadura deixou sua ótica ficcionista para uma visão da realidade. Viva Nelson!

Segundos cardíacos

Acordei e senti um aperto no peito, era a saudade me dando bom dia. Porque assim tem sido quando não recebo mensagens de amor do meu despertador matinal. Os ponteiros do relógio sabem o horário exato e também o passar das horas. Tenho um novo hábito de me perder no período, de me aprofundar na distância, de correr contra o tempo. E constato que não é fácil viver com saudades, mas por valer a pena sentir, desistir deixou de ser opção.

Irrecorrível


Mesmo que prevista, a ida é uma sentença sem cálculos. Ainda que o tempo se antecipe a diagnosticar, como entender uma despedida tão prematura e jovem?  Fato tão corriqueiro, co-ausente e finito, porém, sempre inesperado. Não há quem defina ou se acostume com a dor da perda. O improviso da vida é um misto de mistério e esperança. O adeus é tão súbito e inopino que silenciam palavras. Atônito! Até o sistema límbico, responsável pelas emoções, não percebe a partida como um susto, e sim, como um desfecho incrédulo e sempre inaceitável.

Quantos sonhos já vimos a realidade forjar algum sentido em pleno ápice da vida? Quantos planos a gente viu desaguar na incompreensão, quantos ângulos distorceram a ótica, quantos caminhos se perderam no fatídico atalho do cotidiano?   Quem pensou num amanhã ensolarado, muitas vezes o viu amanhecer em chuvas. Para muitos artistas é de forma repentina que o ensaio acaba e a cortina fecha.  Quem fica, perde a próxima dança, mas jamais a música. Os passos radicais do tempo, também são compassos de um escopo cheio de bálsamo.

O que atenua e abranda a nuance da existência são os sentimentos deixados por quem se vai. Não há consolo maior que o amor, sendo ele também o potinho da fé. O que guardamos no coração é imortal. Olhando para o curta-metragem que passou pela minha ótica nos últimos meses, entendo que não foi apenas um piscar de olhos. Observei uma força inigualável, uma coragem sem restrição, positividade incansável, alegria sem tamanho, fé incontestável, e, sobretudo muito amor por viver. Estou falando de um jovem guerreiro que usou como armas a música, que lutou contra o câncer com muita fé e jamais deixou de acreditar na vida. Para você não dedico apenas minha conta sanguínea de afetos, mas toda a gratidão pelo que deixaste no meu coração. Descanse em paz, Geraldo Souza Leão!

“Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim”...


João Sem-Braço



Não nasci para cálculos. Não meço palavras, perco os sentidos e os centímetros, avalie os sentimentos. Para os fardos da atualidade e a busca incessante do ser, a reciprocidade não anda de vento em popa. Pasmem! O cenário frio e calculista dos tempos modernos é retrógrado e vago. É veemente o traço da fugacidade encontrado nas projeções de vida e sua conjuntura folclórica. O romance foi assassinado. Na prática, a luta entre os sexos, é vista  burlando a boa-fé da espontaneidade. E o que se assemelha a um personagem poético, é dotado de uma inocente ingenuidade. “Sabe de nada inocente”. Porque nada disso é verdade! Tudo é calculado. A aptidão para os números é multiplicada pelos corpos, subtraída pelo vácuo e somada ao descaso.  Desejam praticar o desapego, apegados ao passageiro. Olha o passeio! Dar as mãos é coisa do passado, estão passando é a mão mesmo. A flor da pele fica os nervos com a falta de senso, raros são os arrepios em meio aos poros sufocados de desdém. Os beijos efusivos tornaram-se tentativas de forçar a barra. Parece que as pessoas hoje em dia são maquetistas deste cenário onde o dissabor acarreta uma aptidão para esquivar-se do romance. A frase clichê “quer romance, compra um livro”, virou música popular complementada pelo filósofo Mr. Catra “quer fidelidade compre um cachorro e quer amor volta pra casa da mamãe”. A tendência é esta! Os espertinhos (as) de plantão implantaram nas mentes estéreis a ideia de poder como meta sem baldrame para conquista. Nada se ganha sem o devido mérito. “Bonito isso, né? Eu li num livro”.  



Particular



De uma pequena fresta surge um universo de sentidos. Como numa fenda algo pode se instalar ou invadir, e até mesmo se espaçar? É um número que só o amor pode conjeturar. De grão em grão em meio à cumplicidade são construídos alicerces sentimentais que ao final de tudo, fica o espaço criado pelo amor ou o vazio deixado por ele. Um mutuado de expectativas e esperanças desliza em nuvens de sonhos enquanto milhares de pesadelos limpam o céu de quimeras. A realidade é a carta de anuência para o efêmero cotidiano. Seria um nó do acaso improvisado por um laço em falso a busca por patentear os sentimentos a outrem. São tantas paredes testemunhas das insônias, tantos sorrisos estampados de plenitude, tantos equilibristas da razão e emoção, tanto amor surgido, “morrido”, “matado” e renascido, tanto amor, tanta dor. Que de aprofundar-se, cicatriza; que de esvaziar-se, transborda; que de dilacerar-se, sossega. E os pontos de cada nó rompido se tornam laços, e cada laço dado é um nó que se deu. Um ato que desata quanta dor que vira dó. Caberia no mesmo lugar o esmagamento e a liberdade gerada por amar, ou romperiam fitas de tanto entrelaçar a convivência e sua pluralidade? É, o amor é mesmo singular!

“Sem lenço, sem documento”



E de repente chega à maturidade. Sem idade, sem passado, sem futuro. Despretensiosa no andar, carregada de conceito, cheia de malas que a vida a presenteou. Impregnada de tolerância, abastecida do sofrer, repleta de vontades e dona do saber. A maturidade é calmaria, perdão, dever cumprido, humildade e querer. É saber respeitar o tempo, as coisas e, sobretudo as pessoas do jeito que elas são. É colorir o mundo e descolorir, gritar e silenciar, sorrir e chorar de cabeça erguida e face lavada. Por mais pesada que seja uma lágrima, mais pesado é o orgulho que sentencia nas costas o fardo ecoado do vazio atemporal. Maturação não vê vantagem, faz escolhas. Com ar de mistério e olhar escavado analisa as superfícies sem deixar influenciar. Aproxima-se e faz morada no contraditório por não ver desafio em demonstrar afetos. Revela a leveza de ser e grita aos quatro cantos o sabor de sentir. Porque amadurecimento é saber apreciar uma brisa, mesmo quando o desejo é de um banho de chuva. A generosidade é o sustento da maturidade.


“Quem espera vantagem das suas obras é escravizado pelos seus desejos”